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PRISIONEIROS DA ESPERANÇA

A palavra “esperança” no grego é Elpis. Significa uma firme convicção, uma expectativa confiante de que coisas boas estão vindo da parte de Deus. A palavra “esperança” em hebraico é tiqvah. É interessante que a palavra é a mesma para “corda”. Isso mostra que a ideia de esperança é estar amarrado a Deus. E, porque eu estou ligado a Ele, o meu futuro é maravilhoso, pois compartilho com Ele de uma mesma vida. O mundo tem esperança, mas não tem certeza se a esperança se cumprirá. Nós, porém, esperamos e temos segurança, porque a nossa esperança está no Senhor.

Prisioneiros da esperança Quanto a ti, Sião, por causa do sangue da tua aliança, tirei os teus cativos da cova em que não havia água. Voltai à fortaleza, ó presos de esperança; também, hoje, vos anuncio que tudo vos restituirei em dobro. (Zc 9.11-12)

Tudo o que recebemos hoje é por causa do sangue da aliança, o sangue de Jesus. O Senhor está restaurando tudo em dobro a você não porque você é bom, mas por causa do sangue de Jesus derramado na cruz. Por causa do sangue da aliança, nós fomos libertos da prisão do pecado e fomos feitos prisioneiros da esperança. Simplesmente não podemos mais viver sem a expectativa da glória. Sabemos o nosso destino e estamos presos a ele.

No passado, fomos prisioneiros do desespero. Passávamos noites com insônia, virando de um lado para o outro, porque estávamos preocupados. Tínhamos diante dos nossos olhos imagens de desesperança e medo. Nesse tempo, tentávamos ser otimistas e positivos, mas sempre voltávamos a um lugar escuro, de ansiedade e angústia. Naquele tempo, éramos prisioneiros do desespero.

Mas agora fomos trazidos a um lugar de paz, e o Senhor nos diz que somos prisioneiros da esperança. Por mais que ouvimos más notícias e previsões ruins do futuro, nosso coração insiste em ter esperança, pois o Senhor é a nossa fortaleza. Somente conseguimos ver coisas boas em nosso futuro, pois confiamos nas promessas de Deus. Tudo o que vejo é a bênção e o favor de Deus sendo derramado sobre mim abundantemente.

O que você vê no seu futuro, ó prisioneiro da esperança? Nós vemos vitória, sucesso e prosperidade. A promessa do Senhor é que ele nos restituirá em dobro. Se há perdas hoje, prepare-se para ser restituído em dobro. 

A porta da esperança Há uma história muito triste que aconteceu com um homem chamado Acã. Quando o povo de Israel conquistou Jericó, Acã pegou as coisas consagradas a Deus e, por causa disso, ele foi apedrejado nesse vale, chamado vale de Acã ou Acor em hebraico. Mas Deus prometeu, muitos anos depois, que, no vale de Acor, haveria uma porta de esperança. E lhe darei, dali, as suas vinhas e o vale de Acor por porta de esperança; será ela obsequiosa como nos dias da sua mocidade e como no dia em que subiu da terra do Egito. (Os 2.15) Acor significa “problema ou perturbação” em hebraico. No seu vale de Acor, Deus colocou uma porta de esperança, uma porta de tiqvah. Deus prometeu a Israel e a todos nós que, em seu vale de Acor, haveria uma porta de esperança.

A sua porta não é encontrada na montanha, é encontrada ali no vale. Montanhas sempre falam de boas experiências e bênçãos. Então, quando nos sentimos fortes e cobertos de todas as bênçãos, temos uma experiência no topo da montanha. E, quando você desce ao vale, esse é o lugar da provação. Esse é o momento que o diabo diz que você ficará lá embaixo no vale. Você pode estar atravessando um vale, mas você está caminhando. E Deus está abrindo um caminho para que você saia do outro lado. Há uma promessa de Deus, então, quando estiver no seu vale da angústia, procure a porta da esperança.

Abra a porta esperando o melhor. Abra a porta por causa do seu Deus, porque você está ligado a Ele com cordas de esperança. Não permita que pensamentos pessimistas sobre a situação e as circunstâncias o desanimem. Não dê ouvidos aos pessimistas de plantão. Como prisioneiros da esperança, devemos nos lembrar de que Jesus pagou o preço. Ele estava no vale, no pé de uma montanha, chamada monte das Oliveiras, em um pequeno jardim, porque o homem pecou contra Deus em um jardim, o jardim do Éden, e todo o seu sofrimento começou também no jardim. O jardim é onde tudo começa. E a Palavra de Deus diz que, no jardim, o Senhor Jesus orou e suou sangue.

E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra. (Lc 22.44)

A palavra usada aqui é “agonia” no grego, exatamente como em português. Essa palavra era usada para descrever um exercício físico intenso. Mas também fala de uma luta emocional severa. E, quando Ele orou em agonia, suou gotas de sangue que caíram sobre a terra.

Toda palavra tem significado na Escritura, e o Espírito Santo escolheu a palavra “caindo”. O sangue cai no chão porque, em um jardim anterior, o lugar onde tudo era fornecido ao homem, o homem só precisava pegar e comer. Ele não precisava trabalhar com suor e agonia. Tudo estava preparado para ele. Deus criou o homem para que ele pudesse desfrutar de toda a criação, mas o homem pecou contra Deus e, como resultado, os frutos e a comida do Egito, que é uma imagem do mundo, são trabalhosos e desoladores.

A comida do Egito são melões, alhos, cebolas, é tudo comida do chão, e você precisa se curvar para pegá-los. Mas a comida de Canaã, a terra que mana leite e mel, é comida como uvas, azeite, romãs e figos. Todos eles são colhidos apenas estendendo a mão e arrancando no pé. Você não precisa se curvar para colhê-los. É uma imagem do que é a vida na terra de Canaã. A promessa que Deus tem para você é de um lugar de verdadeiro descanso, uma terra onde você é provido graciosamente e não há uma obra laboriosa envolvida nela. Mas, quando Adão pecou, Deus lhe disse três coisas. Primeiro: “Maldita é a terra por sua causa”. A terra está amaldiçoada. A segunda coisa é que “a terra produzirá cardos e espinhos”. Antes, não havia espinhos, mas agora os espinhos vão brotar, e é por isso que Jesus usou uma coroa de espinhos. Ele levou toda maldição.

Toda vez que você tem um pensamento que o machuca, que o faz agonizar, toda vez que você tem uma dor, sente um medo, tem um pensamento assustador que o deixa em pânico no meio da noite, são aqueles espinhos que estão ferindo a sua mente. Esse é o momento de você lembrar que Jesus carregou sua coroa de espinhos para que você não precisasse mais sofrer essa agonia. E a terceira coisa que Deus disse foi: “A partir de agora, pelo suor do seu rosto, comerá o seu pão. A sua subsistência não será mais fácil”. Agora, porém, descobrimos que Jesus suou no jardim até que o seu suor se tornou como gotas de sangue. É uma condição que os médicos chamam de hematohidrose e significa que, sob pressão extrema, em algumas pessoas, os capilares, especialmente em torno da testa, rompem-se e o sangue sai misturado com o suor.

Há algo sobre o sangue de Jesus que é único. Primeiro, não há pecado em seu sangue. Segundo, Ele é totalmente Deus e totalmente homem, portanto o seu sangue é divino. E, terceiro, o sangue de Jesus sempre limpa, sempre restaura e sempre redime. E, no momento em que Ele suou sangue, Ele estava levando a sua depressão e sofrendo a sua agonia. Mas, no momento em que o seu sangue redentor se misturou com o suor, Ele nos redimiu da maldição da depressão, da obsessão humana, da escuridão da mente e do pessimismo. Ele nos libertou porque suava sangue. E observe que o Espírito Santo diz que o sangue que redime caiu no chão. O chão foi amaldiçoado, mas agora todo lugar em que você andar será abençoado.

O fio de esperança

A primeira menção de algo na Palavra de Deus é sempre significativa. E a primeira ocorrência da palavra “esperança” ou tiqvah, em hebraico, é na história de uma prostituta. O nome dela era Raabe, e ela vivia em Jericó. Esta foi a primeira cidade que Josué e seus homens conquistaram depois de atravessarem o rio Jordão. A Escritura diz que Deus partiu as águas do rio Jordão de maneira que as águas que vinham de cima se amontoaram como uma coluna, como um monte de água, que se ergueu até a cidade de Adão (Js 3.16). Esta é uma imagem de Deus vencendo a morte, toda a morte que veio como resultado da queda desde Adão. Depois que atravessaram o rio Jordão, a primeira cidade que tiveram de conquistar foi Jericó. 

A Palavra de Deus diz que as muralhas da cidade eram tão largas que eles até construíram casas nelas. As paredes eram tão largas que carruagens passavam sobre elas. Toda a terra pertence ao Senhor e agora Ele estava dando aquela terra ao seu povo. Os habitantes de Jericó eram invasores que se recusaram a sair. Mas, morando num apartamento dentro das muralhas, vivia uma prostituta chamada Raabe.

E aconteceu que Israel, aprendendo a lição de quarenta anos antes, em vez de enviar doze espias, enviou apenas dois, porque apenas dois voltaram com as notícias certas da primeira vez. Assim, agora eles enviam dois. Eles entraram na cidade e infelizmente foram vistos pelos soldados que os perseguiram. Os espias, então, esconderam-se num lugar que os soldados não esperariam, na casa de uma prostituta. A primeira coisa que Raabe lhes disse foi: “Soubemos que o SENHOR secou o Mar Vermelho diante de vocês quando saíram do Egito” (Js 2.10). Isso havia acontecido há quarenta anos. Então, provavelmente ela ouviu essa história de alguém que lhe contou, talvez sua avó ou sua mãe. É como se ela estivesse dizendo: “Por que vocês demoraram tanto?” O coração dela estava inclinado para o Deus de Israel. 

Ela sabia que Deus daria a Israel aquela terra, sabia que Deus estava do lado de Israel, e não do seu povo, por isso ela lhes disse: “Jurem, em nome do Senhor, e prometam que vão ser bons para a minha família, porque eu também tratei vocês com bondade. Salvem o meu pai, a minha mãe, os meus irmãos e as minhas irmãs e a família deles. Não deixem que nos matem”.

Os espias lhe responderam, e esta é a primeira menção de tiqvah na Bíblia.